Sobre este Episódio
Como é fazer residência de Medicina de Emergência em um hospital que recebe pacientes graves de diferentes regiões do Rio de Janeiro? Neste episódio do quadro Por Dentro das Residências, Fernando Cinquetti e Elisa Nascimento recebem Ana Carolina Tenório, residente do segundo ano do Hospital Municipal Souza Aguiar (HMSA), para conhecer a formação de emergencistas em um dos serviços de maior movimento da cidade.
Localizado no Centro do Rio de Janeiro, o Souza Aguiar é uma instituição histórica e referência no atendimento ao trauma. Seu complexo hospitalar reúne diferentes serviços, incluindo o Centro de Emergência Regional (CER) e a maternidade. Com múltiplas especialidades disponíveis e grande volume de pacientes, o hospital oferece uma experiência intensa para os residentes, especialmente na sala vermelha, que concentra atendimentos de trauma, emergências clínicas e pacientes críticos aguardando leitos de terapia intensiva.
Ana Carolina compartilha como conheceu a Medicina de Emergência durante um estágio eletivo no próprio hospital e como o contato com emergencistas experientes influenciou sua escolha profissional. O programa, iniciado em 2022, ainda está em processo de consolidação, com mudanças frequentes na organização dos estágios e participação ativa dos residentes nas discussões sobre melhorias.
A formação começa com três meses consecutivos na sala vermelha, permitindo uma imersão precoce no funcionamento do serviço. Ao longo dos três anos, a grade inclui experiências em cirurgia geral, terapia intensiva adulta e pediátrica, emergência pediátrica, ultrassonografia, anestesiologia, trauma, obstetrícia, psiquiatria, cuidados paliativos e outras áreas. A possibilidade de realizar estágios em instituições parceiras amplia o contato com diferentes perfis de pacientes e modelos assistenciais.
Um dos pontos de destaque é o incentivo financeiro oferecido aos residentes vinculados à Secretaria Municipal de Saúde. Ana Carolina relata uma remuneração líquida aproximada de R$ 11.350 mensais, considerando a bolsa e o complemento vigente à época da gravação. A conversa discute como melhores condições financeiras podem reduzir a necessidade de plantões externos e favorecer o descanso, o aprendizado e a segurança assistencial.
O episódio também aborda os desafios da formação. Embora a prática seja intensa, Ana Carolina reconhece a necessidade de fortalecer a estrutura das atividades teóricas e ampliar as oportunidades de atendimento pré-hospitalar, ainda limitadas no programa. A abertura dos supervisores para receber sugestões e adaptar a grade aparece como um aspecto positivo dessa construção coletiva.
Por fim, a conversa explora o mercado de trabalho para emergencistas no Rio de Janeiro, ainda em desenvolvimento, mas com oportunidades crescentes em instituições que reconhecem a importância da especialidade.
Mais do que apresentar uma residência, o episódio mostra como a formação de novos especialistas também participa da transformação dos serviços de emergência — um processo construído gradualmente, por profissionais comprometidos com a qualidade do cuidado e com o futuro da especialidade.



