Sobre este episódio
O que leva um médico emergencista a trocar parte da assistência direta pela gestão de um departamento de emergência? E como continuar produzindo impacto quando os resultados deixam de ser imediatos e passam a depender de pessoas, processos e decisões institucionais?
Neste episódio do Café com Emergência, Fernando Cinquetti e Rômulo Torquato recebem Gustavo Moreira, médico emergencista com atuação em gestão, para uma conversa sobre liderança, carreira e os desafios de transformar serviços de emergência.
Gustavo compartilha sua trajetória desde a formação médica e a residência no Hospital Santa Marcelina até o interesse pela gestão. Para ele, a motivação que aproxima essas duas atividades é a possibilidade de produzir impacto. Enquanto o plantonista transforma a vida dos pacientes que atende diretamente, o gestor pode ampliar esse alcance ao construir sistemas capazes de melhorar o cuidado de milhares de pessoas.
A conversa explora por que o emergencista reúne características importantes para liderar departamentos de emergência: conhece o funcionamento do serviço, compreende suas dificuldades e desenvolve uma formação abrangente, que permite integrar diferentes especialidades. Mas essa capacidade não deve ser confundida com autossuficiência. O papel do emergencista não é competir com os demais profissionais, e sim articular conhecimentos e construir planos de cuidado compartilhados.
Outro tema central é a diferença entre excelência assistencial e competência para liderar. Ser um excelente médico não significa, necessariamente, estar preparado ou desejar ocupar um cargo de gestão. A partir dos perfis de profissionais chamados de “rochas” e “estrelas”, Gustavo discute a importância de construir trajetórias de carreira que valorizem tanto aqueles que desejam assumir novas responsabilidades quanto os que preferem continuar desenvolvendo sua atuação assistencial.
O episódio também aborda a posição delicada dos gestores intermediários, que precisam conciliar as necessidades das equipes com as exigências das diretorias. Nesse contexto, comunicação, negociação, capacidade de influência e reconhecimento dos problemas adaptativos tornam-se competências fundamentais.
Uma das reflexões mais importantes da conversa é sobre o tempo necessário para produzir mudanças. Diferentemente da assistência, em que uma intervenção pode gerar resultados em poucas horas, a gestão exige continuidade, paciência e construção coletiva. Aprender a reconhecer pequenas conquistas pode ser essencial para evitar que a frustração comprometa projetos de longo prazo.
Entre experiências pessoais, conflitos e decisões difíceis — incluindo a necessidade de reduzir equipes —, o episódio mostra que liderar não significa apenas organizar escalas ou cobrar resultados. Significa assumir responsabilidade pelas pessoas, pela qualidade do cuidado e pelas condições em que esse cuidado acontece.



