Ep. 50 – Fentanil na Intubação: é uma opção?
Café Expresso

Ep. 50 – Fentanil na Intubação: é uma opção?

O fentanil deve fazer parte de toda sequência rápida de intubação? Neste episódio, Rômulo Torquato discute as diferenças entre a anestesiologia e a medicina de emergência, os riscos de hipotensão pós-intubação e as evidências disponíveis. Uma reflexão sobre como o contexto assistencial, a condição clínica do paciente e a capacidade de manejar complicações influenciam nossas decisões.

🏷️ Episódio #50📅 19 de outubro de 2026🎙️ Rômulo Torquato
FentanilIntubação OrotraquealMedicina de EmergênciaSegurança do pacienteVia Aérea

Sobre este Episódio

O fentanil deve ser utilizado rotineiramente durante a sequência rápida de intubação? Essa pergunta, aparentemente simples, revela diferenças importantes entre a prática da anestesiologia e a medicina de emergência. No episódio 50 do Café com Emergência, Rômulo Torquato parte de uma enquete realizada com o público para discutir os argumentos favoráveis e contrários ao uso de opioides durante a intubação orotraqueal.

A primeira questão é fundamental: a intubação provoca dor? Sabemos que a laringoscopia desencadeia estímulos nociceptivos e respostas fisiológicas, como taquicardia, hipertensão e liberação de catecolaminas. Entretanto, a presença dessas respostas não esclarece, por si só, se um paciente adequadamente induzido e bloqueado durante uma sequência rápida de intubação experimenta conscientemente a dor. Essa distinção entre nocicepção e experiência dolorosa está no centro do debate.

A discussão avança para os objetivos e as condições em que diferentes especialistas realizam o procedimento. No centro cirúrgico, a prevenção da dor e o controle das respostas ao estímulo cirúrgico são componentes fundamentais da anestesia. Já no departamento de emergência, a intubação frequentemente acontece em pacientes criticamente enfermos, com reserva fisiológica reduzida, instabilidade hemodinâmica e risco elevado de deterioração. Nesses cenários, a escolha das medicações precisa considerar não apenas seus benefícios potenciais, mas também a possibilidade de produzir novas complicações.

Um dos principais pontos abordados é a hipotensão pós-intubação. Rômulo discute os resultados do estudo FACT e apresenta dados dos estudos BARCO e INTUBE, que investigaram eventos adversos relacionados à intubação de pacientes críticos. A análise destaca a frequência de complicações hemodinâmicas e sua associação com desfechos desfavoráveis, sem concluir que o uso de fentanil, isoladamente, provoque aumento da mortalidade.

Outro aspecto importante é o tempo de administração do medicamento. Quando utilizado com a finalidade de atenuar a resposta à laringoscopia, o fentanil exige atenção ao intervalo entre sua administração e o estímulo. Na emergência, acrescentar etapas ao procedimento também envolve custos operacionais e demanda cognitiva, especialmente em ambientes com equipes sobrecarregadas e recursos limitados.

Por fim, o episódio propõe uma reflexão que ultrapassa a escolha de um único medicamento. O mesmo procedimento pode exigir decisões diferentes conforme a condição clínica do paciente, os objetivos imediatos, os recursos disponíveis e a capacidade da equipe de reconhecer e tratar complicações. Mais do que estabelecer uma regra universal para o fentanil, a discussão convida o profissional a compreender por que uma conduta pode fazer sentido em determinado cenário e não necessariamente em outro.

O que levar desse episódio

A presença de uma resposta fisiológica à laringoscopia não significa necessariamente que o paciente esteja experimentando conscientemente a dor.

A hipotensão pós-intubação é uma complicação relevante, mas a associação com mortalidade não permite concluir que o fentanil, isoladamente, aumente o risco de morte.

Uma mesma intervenção pode apresentar diferentes relações entre riscos e benefícios dependendo do paciente, do ambiente assistencial e dos recursos disponíveis.

Referências do Episódio

  1. INTUBE Study (2021) — Russotto V, Myatra SN, Laffey JG, et al. Intubation Practices and Adverse Peri-intubation Events in Critically Ill Patients From 29 Countries. JAMA. 2021;325(12):1164–1172. https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2777715
  2. BARCO Study (2025) — Maia IWA, Besen BAMP, Silva LOJ, et al. Peri-intubation adverse events and clinical outcomes in emergency department patients: the BARCO study. Critical Care. 2025;29:155. https://link.springer.com/article/10.1186/s13054-025-05392-w
  3. NEAR Study (2021) — April MD, Arana A, Reynolds JC, et al. Peri-intubation cardiac arrest in the Emergency Department: A National Emergency Airway Registry (NEAR) study. Resuscitation. 2021. https://www.resuscitationjournal.com/article/S0300-9572(21)00097-6/abstract

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