Ep. 30 — Habilidades Essenciais na Emergência — Como lidar com a multitarefa na emergência
Habilidades Essenciais na Emergência

Ep. 30 — Habilidades Essenciais na Emergência — Como lidar com a multitarefa na emergência

Na emergência, interrupções são inevitáveis — mas multitarefa não significa necessariamente fazer tudo ao mesmo tempo. Neste episódio, discutimos o custo cognitivo das interrupções, o impacto sobre erros e atenção e estratégias práticas para proteger o foco e trabalhar com mais segurança em meio ao caos.

🏷️ Episódio #30📅 3 de junho de 2026🎙️ Fernando Cinquetti · Rômulo Torquato
Carga CognitivaHabilidades EssenciaisMedicina de EmergênciaMultitarefaSegurança do paciente

Sobre este episódio

A emergência é um ambiente construído sobre interrupções. Durante um único atendimento, o emergencista pode precisar alternar entre um paciente grave, um telefone, um familiar, um resultado crítico, uma solicitação de vaga e inúmeras outras demandas. Nesse cenário, a capacidade de lidar com múltiplas tarefas costuma ser vista como uma característica essencial — e quase heroica — do bom emergencista.

Mas será que realmente conseguimos fazer várias tarefas cognitivas ao mesmo tempo? O episódio discute o conceito de task switching, mostrando que o cérebro não executa simultaneamente múltiplas tarefas cognitivas complexas: ele alterna rapidamente a atenção entre elas. Cada troca tem um custo, podendo contribuir para perda de memória operacional, esquecimento de tarefas, fadiga mental e aumento do risco de erros.

O problema, portanto, não deve ser encarado apenas como uma falha individual. A própria organização do trabalho na emergência produz uma disputa constante pela atenção. Ao mesmo tempo em que algumas interrupções são fundamentais — como um paciente que está deteriorando ou um resultado crítico — outras podem esperar. Reconhecer essa diferença é parte essencial do gerenciamento cognitivo do plantão.

O episódio apresenta estratégias práticas para lidar melhor com esse cenário: criar um checkpoint mental antes de trocar de tarefa, utilizar anotações e checklists, concluir tarefas críticas antes de atender uma nova demanda, fazer uma triagem das interrupções, estabelecer uma comunicação mais objetiva e criar momentos protegidos durante atividades de alto risco.

Mais do que ensinar a “fazer mil coisas ao mesmo tempo”, a proposta é repensar o que significa ser um bom emergencista. Talvez excelência não seja conseguir responder a tudo, mas saber navegar pelo caos sem perder o essencial.

O que levar desse episódio

Multitarefa verdadeira praticamente não existe. O que existe é o cérebro trocando rapidamente de foco — e pagando um preço por isso.

A emergência é uma disputa constante pela nossa atenção.

Talvez ser um bom emergencista não seja conseguir fazer tudo ao mesmo tempo, mas aprender a navegar o caos sem perder o essencial.

Referências do Episódio

  1. De Dreu CK, Weingart LR. Task versus relationship conflict, team performance, and team member satisfaction: a meta-analysis. J Appl Psychol. 2003;88(4):741-749. DOI: 10.1037/0021-9010.88.4.741. PMID: 12940412.
  2. Haji FA, Rojas D, Childs R, de Ribaupierre S, Dubrowski A. Measuring cognitive load: performance, mental effort and simulation task complexity. Med Educ. 2015;49(8):815-827. DOI: 10.1111/medu.12773. PMID: 26152493.
  3. Tijunelis MA, Fitzsullivan E, Henderson SO. Noise in the ED. Am J Emerg Med. 2005;23(3):332-335. DOI: 10.1016/j.ajem.2005.02.037. PMID: 15915408.
  4. Laxmisan A, Hakimzada F, Sayan OR, Green RA, Zhang J, Patel VL. The multitasking clinician: decision-making and cognitive demand during and after team handoffs in emergency care. Int J Med Inform. 2007;76(11-12):801-811. DOI: 10.1016/j.ijmedinf.2006.09.019. PMID: 17059892.

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